14 de março de 2019

Quem são os mortos no massacre de Suzano

Ataque vitimou cinco estudantes, a coordenadora e a inspetora da Escola Estadual Raul Brasil e o dono de uma loja de carros usados, tio de um dos atiradores, que se mataram em seguida
Samuel Melquiades, Caio Oliveira, Kaio Lucas, Claiton Antônio, Douglas Murilo, Marilena Umezu e Eliana Regina

Cinco adolescentes e três adultos morreram em decorrência do ataque a tiros em Suzano, cidade na região metropolitana de São Paulo, na manhã desta quarta-feira, 13.
Os atiradores Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, primeiro passaram por uma revendedora de carros usados de um tio de Guilherme, Jorge Antonio de Moraes, a primeira vítima da dupla.

Em seguida, eles se dirigiram à Escola Estadual Raul Brasil, onde abriam fogo, vitimando cinco alunos, a coordenadora pedagógica e a inspetora da instituição de ensino.

Depois, segundo a polícia, Guilherme atirou em Castro e depois se matou – a dupla tinha apenas um revólver, calibre 38, que estava com Guilherme.

Outras nove pessoas ficaram feridas e estão hospitalizadas em três unidades de saúde da região. Mais cedo, a polícia chegou a divulgar, erroneamente, que estavam entre os mortos os alunos João Vitor Ramos Lemos e Pablo Henrique Rodrigues, mas depois corrigiu as informações.

Saiba quem são os mortos nessa tragédia

Tinha 15 anos e era fã de basquete e de rap. No Facebook, o adolescente curtia diversas publicações da página oficial da NBA, principal liga de basquete do mundo, e de astros do esporte, como o ex-jogador americano Shaquille O'Neal. Em um texto de despedida, uma amiga do jovem conta que Caio "jogava muito bem" e não escondia isso de ninguém. Várias de suas fotos retratavam cestas e bolas de basquete.
Além do esporte, o adolescente também amava tudo relacionado ao rap. Nas fotos em destaque do perfil, ele publicou três capas de álbuns do gênero: o clássico "Sobrevivendo no Inferno", dos Racionais MC's, "Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa...", de Emicida, e "Castelos e Ruínas", de BK. Já duas de suas fotos de capa eram sobre o seriado "Um maluco no pedaço", que alçou o ator Will Smith ao estrelato nos anos 1990 e abordava, além de temas raciais, a cultura do hip hop.

Douglas Murilo, de 16 anos, foi o último a ter o corpo identificado pela Secretaria de Segurança pública. Ele tinha no bolso o documento de identidade de João Victor Ramos Lemos, que chegou a ser incluído na lista de mortos, mas que está entre os feridos. 

Douglas tinha pedido à mãe para mudá-lo de escola porque aquela era “muito bagunçada”, segundo disse um amigo da família. —Ele queria mudar, mas estava no último ano, então acabou ficando. Era um menino dócil demais, bem criado. Todo dia ia lá em casa jogar videogame com meu filho. Eles se conhecem desde os cinco anos de idade—contou José Roberto Santos, pai de Gustavo, também aluno da escola que conseguiu pular o muro da escola e fugir.

Segundo relato de um tio, Samuel, de 16 anos, era um menino bom, educado, não era de balada, nem de confusão. Marcos, o tio dele, disse: "Quando eu era criança, a educação que a gente recebia era diferente. Hoje nossos filhos fazem o que querem e ninguém toma providência. Nunca vi algo assim". Muito integrado à Igreja Adventista do Sétimo Dia, Samuel era muito próximo da família. Seu grande talento era hereditário: desenhar e pintar. O sonho do garoto era seguir a profissão do pai, artista.

Aluno do 3º ano do Ensino Médio, Cleiton, de 17 anos, foi descrito por amigos como um rapaz "muito tímido, quieto, simples e gentil". Ele era reservado, "sempre na dele" e não tinha o hábito de usar redes sociais. Uma colega de classe disse que o jovem era "um amor de pessoa" e a pessoa "mais pura e inocente" que ela já conheceu. 

Cleiton não era ligado em esportes ou sair: seu foco era no ensino. Estudioso, seu sonho era fazer faculdade, segundo os tios que estavam ajudando o pai a reconhecer o corpo no IML de Suzano. Filho carinhoso, ele era motivo de alegria para toda a família. Sua mãe está em estado de choque. 

Uma confusão tornou o dia da família de Kaio Limeira uma angústia. Desaparecido desde o tiroteio na escola Raul Brasil, ele foi reconhecido por familiares no início da noite desta quarta-feira no Instituto Médico Legal (IML) de Suzano. Menino estudioso, ele era muito ligado à igreja — frequentava com a Família a Igreja Cristã Mundial. Envolvido na música de sua congregação, era um jovem que tinha muitos planos.

—A dor de não saber informações dele era pior. Pelo menos agora confirmaram. Quando ele caiu no chão, com um tiro na nuca, parece que caiu perto do documento de outro colega, Pablo, daí a confusão. Ele morreu na mesma hora, nem deu entrada em hospital — diz a prima, Cibele Ferreira. Segundo ela, Kaio tinha 15 anos e era um rapaz tranquilo, que morava com a mãe, divorciada do pai, e frequentava a igreja evangélica com a família. — Era um bebê. Não ia nem comprar pão sozinho. Morava a uma quadra da escola, sempre ia à igreja.

A coordenadora pedagógica, de 59 anos, era engajada nas redes sociais. A última postagem no Facebook foi feita na noite de segunda-feira, quando replicou mensagens sobre a reforma da Previdência e a Lava-Jato. Recentemente, falou sobre a tragédia de Brumadinho (MG), em que cobrou Justiça e sobre as denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro.


Jorge Antonio de Moraes, proprietário da Jorginho Veículos, foi baleado no escritório de sua concessionária. Ele é tio de Guilherme Taucci Monteiro, um dos atiradores, que chegou a trabalhar na loja de carros. Jorge teria dispensado o trabalho do sobrinho recentemente, mas não se sabe se esse foi o motivo do crime. O empresário foi levado ao Hospital das Clínicas, onde foi submetido a uma cirurgia, mas morreu em decorrência dos ferimentos. Jorge era amigo das famílias da região. —Era uma pessoa muito querida, tinha a loja de carros, ajudava muita gente. Era casado e tinha um filho de mesmo nome, que o ajudava na loja—contou Cibele Ferreira, prima de uma das vítimas da tragédia. —Dizem que ele morreu quando foi tentar convencer o sobrinho a não fazer isso. É muito triste. O conforto é pensar que eles estejam em um lugar melhor agora. 

Atiradores
Guilherme Taucci
Guilherme Taucci, de 17 anos, postou fotos em uma página no Facebook na qual se identifica como Guilherme Alan, momentos antes da tragédia. Nas imagens, o rapaz faz gestos com as mãos imitando armas, aponta o dedo para a própria cabeça, aponta uma arma para a câmera e usa a máscara com a qual aparece morto no chão da escola. Entre as publicações de Guilherme, há imagens do símbolo anarquista (um círculo com um 'A' no meio), desenhos de cenas de guerra, uma imagem dos atores da série "Hannibal" e fotos da banda de heavy metal Slipknot.

Guilherme foi criado pelos avós maternos. A mãe dele é dependente química e teria vários filhos, com pais diferentes . O pai dele também seria dependente químico. A mãe de Guilherme vive na cidade, mas não na casa dos pais. A avó de Guilherme, já idosa, morreu em dezembro passado. Ele chegou a trabalhar com o tio, Jorge Antonio Moraes, na loja de carros.

Luiz Henrique de Castro
Luiz, de 25 anos, faria aniversário no próximo sábado. O perfil dele no Facebook foi tirado do ar após a tragédia. De acordo com a Rádio CBN, não havia informações pessoais na página. Mas tinha na foto de capa um soldado com um fuzil na mão, imagens de combates e de jogos de videogame de tiros. Também fazia parte de grupos com nomes sugestivos como "Cidadão armado", "Um amor: armas" e "Eu gosto de armas e não sou bandido".

Luís Henrique é descrito por vizinhos como um rapaz fechado e nervoso. Já chegou a bater no pai, no meio da rua.

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