Entenda o caso: Segurança ateia fogo em creche de Janaúba e mata crianças e professora - Blog da Rayssa Araújo | Notícias de Anapurus e Região

sábado, 7 de outubro de 2017

Entenda o caso: Segurança ateia fogo em creche de Janaúba e mata crianças e professora

Sete crianças e uma professora morreram após um segurança colocar fogo em uma creche em Janaúba, no Norte de Minas Gerais, na manhã desta quinta-feira (5). Segundo informações da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, o vigia do Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente, no Bairro Rio Novo, jogou álcool em crianças e nele mesmo e, em seguida, ateou fogo. No horário havia 75 crianças e 17 funcionários na escola.

O agressor, identificado como Damião Soares dos Santos, de 50 anos, chegou a ser internado, mas morreu horas depois.

Morreram no ataque:

  • Ana Clara Ferreira Silva, 4 anos
  • Luiz Davi Carlos Rodrigues, 4 anos
  • Juan Pablo Cruz dos Santos, 4 anos
  • Juan Miguel Soares Silva, 4 anos
  • Renan Nicolas Santos, 4 anos
  • Cecília Davina Gonçalves Dias, 4 anos
  • Yasmin Medeiros Salvino, 4 anos
  • Helley Abreu Batista, 43 anos

As quatro primeiras crianças morreram na hora da tragédia. A professora Helley Abreu Batista morreu no começo da noite de quinta. Ela teve 90% do corpo queimado. Renan Nicolas Santos, orreu enquanto era transferido de Janaúba para Montes Claros na quinta. O Hospital Santa Casa de Montes Claros confirmou a morte de Cecília e Yasmin na tarde de sexta-feira (6), um dia após o ataque.

Veja mais informações atualizadas sobre os mortos na tragédia.

Crianças foram queimadas dentro da creche; 4 morreram (Foto: Natália Jael/Inter TV Grande Minas)
Crianças foram queimadas dentro da creche; 4 morreram (Foto: Natália Jael/Inter TV Grande Minas)

Interior da creche de Janaúba que foi incendiada nesta quinta (5) (Foto: Natália Jael/Inter TV Grande Minas)
Interior da creche de Janaúba que foi incendiada nesta quinta (5) (Foto: Natália Jael/Inter TV Grande Minas)

Dezenas de pessoas ficaram feridas e foram internadas em hospitais de Janaúba, Montes Claros e Belo Horizonte. Um dia depois do ataque, 43 pessoas seguiam internadas, de acordo com informações do Corpo de Bombeiros. Entre os feridos que seguem em hospital, 39 são crianças.

Algumas crianças apresentaram queimaduras pelo corpo e vias aéreas; uma das vítimas, de 5 anos, teve 45% do corpo queimado.

A Polícia Militar informou que uma aeronave da PM foi usada para socorrer as vítimas. Ainda segundo a PM, um avião do governo do Estado foi de Belo Horizonte para Janaúba para transportar os feridos até o Hospital João XXIII, na capital mineira, que é referência em tratamento de queimaduras em Minas.

A cidade de Janaúba tem quase 67 mil habitantes, segundo o último Censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, e está a cerca de 600 km da capital mineira.


Autor do ataque

De acordo com a prefeitura, Damião Soares dos Santos era funcionário efetivo desde 2008. Ele ficou de férias de julho a agosto e, ao retornar ao trabalho, no mês de setembro, alegou problema de saúde e foi afastado.

Damião foi à creche na manhã desta quinta entregar o atestado médico e cometeu o crime. O delegado Bruno Fernandes Barbosa informou que ele entrou na creche de mochila, sem tirar o capacete, fechou as portas e já ateou fogo em uma funcionária que estava na cozinha.

A perícia indica que ele fechou três salas da creche, onde havia entre 55 e 60 pessoas. Ele tirou um galão da mochila, jogou álcool nas crianças e ateou fogo. Logo as chamas se espalharam por outras salas. O homem teria ainda segurado as crianças, impedindo que elas saíssem. Uma professora tentou conter a ação de Damião e chegou a lutar com ele.
Reprodução do RG de Damião Santos, identificado como o autor do ataque à creche de Janaúba (Foto: Polícia Civil/Reprodução)

O vigia foi levado para o hospital com queimaduras no corpo inteiro e morreu cerca de três horas depois.

"Tenho plena convicção de que o crime foi premeditado, ele escolheu a data de dia 5 de outubro porque o pai dele morreu no dia 5 de outubro, há três anos", disse o delegado.

Segundo Barbosa, o segurança havia dito a familiares que "essa semana iria morrer". Parentes disseram à polícia que, desde 2014, Damião já apresentava "sinais de loucura". "Ele alegava que a mãe dele estava envenenando a água, e que isso estava trazendo problemas", disse o delegado.

Na casa de Damião, a polícia encontrou cartas escritas por ele, nas quais dizia ter predileção e afeto por crianças. Também foram achados galões de combustível. "Encontramos seis ou sete galões de cinco litros com álcool", disse o delegado.

 (Foto: Arte/G1)

O que dizem as autoridades

A Prefeitura de Janaúba decretou sete dias de luto oficial em solidariedade às famílias afetadas pela tragédia.

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), vai a Janaúba acompanhar o socorro às vítimas e as investigações sobre a tragédia. O chefe do Executivo determinou a criação de um posto de comando emergencial na cidade. Ele também decretou luto de três dias no estado.
O presidente Michel Temer também se manifestou a respeito da tragédia, por meio de suas redes sociais. "Eu que sou pai imagino que esta deve ser uma perda muitíssimo dolorosa. Esperamos que essas coisas não se repitam no Brasil", disse Temer em seu perfil no Twitter.

Falta de materiais hospitalares

O hospital de Janaúba, para onde os feridos foram levados, pediu doações de materiais que são usados no tratamento de queimaduras.
De acordo com a diretoria do hospital, não havia mais materiais disponíveis na cidade, e a equipe do local teve que trabalhar na triagem dos estoques que restaram e das doações que chegaram no estabelecimento.

Segurança ateia fogo em creche em Janaúba (Foto: Editoria de Arte/G1)

Funcionárias do hospital de Janaúba trabalham na triagem do material usado no tratamento de queimaduras (Foto: Juliana Peixoto/G1)
Funcionárias do hospital de Janaúba trabalham na triagem do material usado no tratamento de queimaduras (Foto: Juliana Peixoto/G1)

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