Diante da “lama inerte” que escorrega desde Minas, cadê Dilma? - Blog da Rayssa Araújo | Notícias de Anapurus e Região

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Diante da “lama inerte” que escorrega desde Minas, cadê Dilma?


É imperdoável que, passados seis dias da eclosão da maior tragédia ambiental brasileira de 2015, a presidente Dilma não tenha ido a Bento Rodrigues, Mariana (MG), ou qualquer uma das cidades atingidas. São até aqui mais de 600 desabrigados e um número não calculado de mortos e desaparecidos. É uma catástrofe humanitária de largas proporções e longa duração. Afetou e afetará direta e indiretamente grande número de pessoas do interior de Minas ao litoral do Espírito Santo. Ontem (terça) foi enterrada uma menina de 5 anos.
Até aqui, Dilma se manifestou publicamente (virtualmente) pelo Facebook, no dia 6 de novembro, dizendo que recebeu com pesar a notícia do rompimento da barragem, com sua foto ao lado do bonequinho cara-triste do face, aquele que indica “se sentindo pesarosa”. 
É muito pouco para uma presidente da República que, de imediato, deveria ter, ao menos, sobrevoado o local, assumido pessoalmente (e diante dos olhos do grande público) a reação ao acidente, e no dia seguinte estar ao lado das vítimas, talvez empunhando uma pá para tirar a lama das casas, reconfortando as famílias ao mesmo tempo em que exigindo saber as causas do acidente, até agora não reveladas. Coisas que costumam fazer os políticos e governantes em tempos normais, fossem estes tempos normais.
Trata-se de uma catástrofe de dimensões nacionais e repercussão mundial. O rio de lama com resíduos da barragem da Samarco (Vale + BHP) segue seu curso, agora entrando no Espírito Santo. No domingo, 15, deve chegar a Colatina (ES), avançando pelo Rio Doce. Calcula-se que as barragens rompidas da Samarco tenham despejado 50 milhões de metros cúbicos de rejeito de mineração, quantidade que encheria 20 mil piscinas olímpicas.
Foi assim: das barragens rompidas de Mariana, os rejeitos de minério de ferro caíram em um rio, depois em outro, depois no extenso Rio Doce, e agora seguem, adensados em uma massa pastosa, para desaguar no Oceano Atlântico. Até lá terão passado por cidades e localidades como Linhares, Barra do Cuieté, Conselheiro Pena, Galiléia, Tumiritinga, São Tomé do Rio Doce. Constelação de uma tragédia. 
A Samarco afirma em seu site que a lama, ou o rejeito, é “inerte”, “composto, em sua maior parte por sílica (areia)”.
Para quem viu a lama de perto, a impressão é diferente. 
“Tem cor de chocolate e cheira muito mal”, me disse por telefone a assessora de imprensa da prefeitura de Governador Valadares, por onde passa, misturada às águas do Rio Doce, a vaga de lama no momento em que digito este texto. A prefeita decretou estado de calamidade pública. Durante a passagem da lama a prefeitura mediu a qualidade da água do rio que abastece a cidade e divulgou que os índices de ferro, alumínio e cromo  estavam bem acima dos índices toleráveis; em mais de mil vezes no caso do ferro e em mais de seis mil vezes no caso do alumínio. O abastecimento foi suspenso por tempo indeterminado. Enquanto isso a “pluma”, como a prefeitura chama a lama – uma massa “densa, pastosa e oleosa” – move-se lentamente pelo Rio Doce, conforme o comunicado oficial. Por conta de sua espessura, o rejeito segue a passo relativamente lento.
E as causas do acidente, quais são?
Nos dias seguintes ao rompimento a Samarco enfatizou não ser possível, “neste momento”, confirmar as causas do ocorrido, o que dependerá de “investigação e estudos”. Ninguém melhor do que a Samarco para informar as causas do acidente em suas próprias barragens. Quando irá fazê-lo?
Portal Emergência Onlinne.

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